RESENHA | O Sonho do Tigre

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Depois de anos gastando os meus botõezinhos pensado em vários finais para o Kishan, eis que nossa querida Colleen Houck decide finalmente lançar o livro que conta o que houve após o “viveram felizes para sempre” de O Destino do Tigre, o final oficial, que já antecipando, prefiro minhas versões fantasiosas.

Dessa vez, temos mais de 500 páginas narradas a partir do olhar do nosso Tigre de Ébano, ressuscitando clássicos das obras anteriores e explicando grandes questões que ficaram sem uma resposta mesmo com o final da Saga do Tigre. Inquestionavelmente, o que mais me impressiona é que, independente de quantas vezes eu leio ou do tempo que se passar desde a última leitura, sempre continuo achando a Kelsey um porre haha.

Brincadeiras a parte, a história de O Sonho do Tigre se passa algumas semanas após O Destino do Tigre (quarto livro da saga que finaliza o arco inicial). Meio deprimido e com o coração partido, Kishan vive pensando no que deixou para trás ao abrir a mão de Kelsey. Será que foi mesmo o certo a se fazer? Será que, no final, era ele o destinado para ela e não Ren?

Até que um dia, em meio à um dos seus famosos cochilos, um velho amigo vai visitá-lo e conta que seu então amor e seu irmão estão em perigo. Para garantir o final feliz de todos, o tigre preto deverá reviver e reconstituir várias das aventuras e desafios que viveu no arco inicial da saga, como o ataque de várias feras selvagens – não lembro o nome agora, foi mal galera -, a perda de memória do Tigre Branco e até mesmo os encontros com Durga e Damon.

Bem Efeito Borboleta, presente, passado e futuro se entrelaçam em reviravoltas capazes de confundir a mente mais clara. De início, reviver a história que no passado havia me conquistado foi sensacional. UAU, eu estava tendo a chance de ler de novo, com uma perspectiva diferente (embora semelhante na maior parte do tempo), aquela trama que havia me conquistado na adolescência.

Porém, com o passar do tempo, a nostalgia foi se tornando cansativa. A autora começou a se repetir demais, tanto em acontecimentos novos e velhos (os constantes pitis do Kishan), como também nas resoluções. Pareceu mais do mesmo, um livro sem potencial para sustentar sua própria trama.

Não que eu esteja falando que O Sonho do Tigre é desnecessário, muito pelo contrário. A história da Anika e a sua transformação em Durga, junto também a história de amor com o Kishan, é mil vezes melhor que o arco da Kelsey, muito mais madura, empoderada, sem dizer envolvente. Contudo, não foi essa parte da narrativa que foi enfatizada, e sim o retornar à antiga. Foram 500 e tantas páginas de mimimi e repetição, com muita ênfase em dramas pobres e mais do mesmo.

Desde que terminei a Saga do Tigre, todos os livros que pego da Colleen, tenho a impressão de que ela está tentando repetir a mesma fórmula do sucesso ao invés de investir em narrativas diferentes, com peculiaridades que criam sustentação própria. Tanto a saga do Egito, como as próprios continuações da Saga do Tigre são forjados no mesmo padrão de ciclo narrativo e personagens semelhantes.

Outro aspecto que não gostei foi o que foi feito na personalidade do Kishan para que tivesse história. Não sei se fui eu que amadureci, ou se realmente foi uma forçação de barra, mas em alguns momentos, o senti extremamente imaturo e egoísta. Não combinou com a imagem do Tigre de Ébano que havia sido construída nas versões anteriores.

Enquanto isso, Anika é justamente a protagonista de que a obra precisava. Sempre senti falta de uma guerreira, alguém capaz de competir de igual para igual com os tigres e roubar os holofotes. Durga conseguiu isso, e ainda mais. Uma personagem complexa, bem desenvolvida e carismática. Impossível não se apaixonar e deixar cativar pela sua história.

Com relação ao final, ao mesmo tempo em que achei diferente e surpreendente, achei também, de certa forma, clichê. Como já disse, Efeito Borboleta já havia testado essa mesma fórmula anos antes, e com a conclusão de que não é possível mudar o tempo. A resolução que teve mudou completamente a essência da saga (repito, isso não é necessariamente ruim).

Em suma, ainda que pareça que não, O Sonho do Tigre é um bom livro. Decepcionante? Óbvio. Mas não ruim. Não segue a mesma graça da sua saga original, mas é uma boa leitura.

 

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