RESENHA | Mr. Romance

RESENHA | Mr. Romance

-Sexo é para o corpo. Romance é para a alma.
-Bom slogan, você deveria vender camisetas.

Sabe quando a gente lê um livro com uma expectativa, mas acaba tendo uma opinião completamente diferente quando o lê por si só, livre de julgamentos e opiniões alheias? Eis o porquê de sempre incentivarmos a leitura das obras independente do caráter – positivo ou negativo – de nossas críticas. Ainda que não pareça, cada experiência de leitura é única e especial, até mesmo para as narrativas que não apreciamos.

Há algum tempo atrás, encontrei Mr. Romance em promoção. Uma amiga, fã da saga Meu Romeu e Minha Julieta, que inclusive é da mesma autora, Leisa Rayven, foi uma das razões para minha aquisição, destacando que se tratava de uma leitura leve e divertida. Em contrapartida, para um amigo, Mr. Romance se tratava de uma obra com potencial, que havia se perdido em meio a uma tentativa exagerada da escritora de criar tensão sexual entre os personagens, tornando-a mais uma leitura pobre e rasa em conteúdo. Duas opiniões bem 8 ou 80.

Enquadrada dentro do Romance, a obra foi publicada no Brasil em 2017 pela Globo Alt. Na época, o livro estava na hype e entre os mais comentados do Skoob. Quando o exemplar chegou, fiquei levemente atraída pela história – uma jornalista investigando um caso de um cara irresistível, pago para fazer mulheres retomarem aos seus sonhos de princesa, qual é?

A narrativa de Mr. Romance é fluída e a escrita da autora é relativamente simples. Termos fáceis, frases simples e uma pitada sútil de humor. 372 páginas que passam facilmente. Porém, por mais que alguns pontos façam com que a trama seja original e diferente dos clichês do estilo – como determinadas atitudes e posturas empoderadas da protagonista, e até mesmo a originalidade da narrativa – outros a tornam bem parecida em alguns aspectos com 50 Tons e várias outras obras com qualidade questionável.

Na trama, uma Jornalista de click-bait, Eden Tate, recebe uma sugestão de pauta que seria a chance perfeita para ser promovida: um homem que estava oferecendo serviços de “príncipe encantado”, seduzindo a elite. A partir de uma seleção rigorosa, ele oferecia seu serviço para mulheres, prometendo uma noite dos sonhos, capaz de fazê-las voltar a acreditar no amor. Apelidado como Mr. Romance, o sujeito misterioso é famoso pelo seu alto poder de magnetismo e fascinação. Não, não é nada Magic Mike, a graça do Mr. Romance está no que o próprio nome sugere, Romantismo em forma de flerte e encantamento.

Disposta a desmascará-lo, a mocinha começa a procurá-lo e questionar sua integridade. Após alguns desdobramentos peculiares, ele a faz uma proposta: os dois teriam três encontros, se ela se apaixonasse por ele, desistia daquela história, se não, ela receberia os detalhes de tudo que estava acontecendo, o furo completo com nomes de todas as clientes que já teve e possíveis fontes para entrevista.

É inquestionavel a química sútil e persuasiva que há entre os dois personagens. Embora haja sim muita tensão sexual, igual o meu amigo disse e, em alguns momentos, beire o exagero, o casal principal cativa e conquista a cada página. É difícil não torcer por um final feliz entre eles.

Além disso, a construção dos personagens também é interessante. O Mr. Romance (personagem) realmente vende um sonho com um final feliz, mas é interessante ver que por trás de toda essa fachada, há um homem comum que só quer ser valorizado e amado por ser ele mesmo. É no fundo o que quase todos nós queremos, ser amado pelo que somos, ou seja, é difícil não se identificar.

Paralelamente, a Eden também é outra personagem que motiva identificação. Medo do amor, um clássico. Quantas vezes não deixamos de correr atrás de nossos sonhos por medo de nos ferir ou de não ter o felizes para sempre que sonhávamos?

” – Todos nós temos questões que estamos tentando superar, senhorita Tate. Todo mundo quer se sentir especial, a gente admitindo ou não. E amar sem limites, nos permitindo ser amados de volta, é o que dá sentido á vida. Ou, pelo menos, é o que deveria dar. Todo o resto só atrapalha.”

Em contraponto, assim como já dito, elementos e construções que poderiam ser utilizados de forma a conseguir uma história única e uma narrativa especial, foram mal aproveitados, reforçando clichês e criando buracos na trama. Faltou desenvolver mais a narrativa, se aprofundar em sentimentos e sensações, além de explorar melhor o grande potencial que havia por trás de uma trama relativamente simples. Como resultado, há um livro bom, mas que poderia ser melhor. Diria comum, beirando o sem graça. Todavia é importante que cada leitor dê uma chance e crie suas próprias opiniões.

Nota Nerdisse:  (3 / 5)

2 Comentários

  1. marinalangstapani

    Adoro dicas de livros! Confesso que fiquei com opinião dividida nesse! É engraçado como cada um tem sua visão, né? Você e seus amigos me deixaram confusa hahaha Acho que deve ser bem água com açúcar, né? Mas como eu gosto de romance e humor, não excluiria totalmente da lista 🙂
    Beijinhoss, Marina
    Me visita também? 🙂 Blog Cabide Ideal

    • Ayllana Ferreira

      hahaha né?!
      Eu particularmente gostei, gosto de livros que me fazem rir e que reforçam clichês fofinhos de “felizes para sempre”.
      Só vai, mana, e depois nos conta o que achou!
      Beeeeijinhos
      E visito sim!

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