CRÍTICA | Tau

CRÍTICA | Tau

Não é de hoje que a Netflix divide opiniões e fomenta polêmicas com suas produções originais, algo perceptível em Barraca do Beijo (2018) e Os 13 Porquês (2017). O novo longa da empresa de streaming, Tau, não é diferente. Assinado como original e pertencente ao gênero de suspense psicológico e ficção científica, Tau possui a sinopse que todo grande amante dos gêneros ama: uma inteligência artificial comandada por um cientista sádico e milionário que está realizando um experimento com cobaias humanas.

Uma delas é Julia (Maika Monroe), uma jovem que ganhava a vida furtando homens em festas até ser sequestrada por Alex (Ed Skrein). Quando é encarcerada, consegue montar um plano de fuga com seus companheiros de cela. Entretanto, quando está quase escapando, se depara com Tau (Gary Oldman), uma inteligência artificial, dita como a mais avançada do mundo, e Ares, uma extensão robótica capaz de infligir dor por meio de socos, choques ou por suas garras.

O filme começa bem, com momentos de tensão que te prendem. Isso, porém, dura pouco. O encontro entre Julia, Tau e as outras cobaias na tentativa de fuga chega a ser cômico, não trágico. As cenas de morte não causam comoção, muito menos medo. Possuem um traço do trash, tão explorado por Piranha 3D (2010) e Sharknado (2013), onde o sangue é jorrado a distâncias absurdas e não passam nenhuma realidade.

Após a morte das outras cobaias, Julia é mantida em cativeiro na casa do próprio Alex e vive em contato com Tau enquanto o vilão está fora. Tau se mostra aberto, receptivo e curioso por Julia, deixando claro que sua matriz não é essencialmente má, mas sim, quase humana. Cria-se uma amizade entre o programa e Julia, quase que, se não, um romance. Alex, por sua vez, é superficial. Ed Skrein tem o rosto perfeito para um vilão respeitável que cause medo, mas o que lhe foi dado foi totalmente o contrário. Não é mostrado em momento algum como sua natureza se modificou para o mau, nem como construiu sua empresa ou seu legado. Por ser um filme de quase uma hora e quarenta, podia-se ter acrescentado detalhes para que o vilão fosse mais cativante e profundo.

O Mito da Caverna de Platão parece estampar como Tau se comporta, já que é uma inteligência com matriz limitada, isolada e controlada pelo próprio Alex. Possui formulação de respostas espontânea e controla a casa inteira como um empregado doméstico, mas não sabia o que significava uma pessoa ter um nome. Mesmo tendo uma matriz tão limitada, Tau se mostra altamente humano em seus sentimentos: é curioso, capaz de ponderar e ser bondoso, e, até mesmo, sente medo. Tais sentimentos são incômodos durante todo o filme, assim como em Her (2014), e ao mesmo tempo dão um tom doce e de respiro para o longa. Algo desnecessário, mas humanizador que atrai as grandes massas.

A fotografia é um ponto positivo. Apesar de levemente previsível pelos tons que tomaram o cinema moderno (exemplo claro em Demônio de Neon e Raw, ambos de 2016), como o vermelho vivo, roxo escuro e nuances de azul, as cores direcionam as emoções do telespectador, uma sacada ótima do diretor de fotografia Larry Smith em conjunto do diretor Federico D’Alessandro.

Tau possuía a temática perfeita para atrair os amantes de ficção científica e os adoradores de um bom suspense psicológico, mas o que ocorre é o contrário. As duas cenas finais apenas comprovam o teor trash e a tentativa falha de fazer um filme pesado que induzisse o medo de uma tecnologia, algo que ocorre em Black Mirror (2011 – presente) quase que sem esforço. Os pontos positivos são mínimos e não superam os erros de superficialidade e continuidade. É um original Netflix que promete muito, entrega pouco e não cativa como deveria.

Nota Nerdisse: (2 / 5)

Veja o trailer:

Um Comentário

  1. Ayllana Ferreira

    Uma crítica dessas, bicho!
    Preciso ver… Ainda que aja tantos pontos negativos, aparentemente, ver acreditando ser um Trash talvez traga um novo olhar. Quem sabe assim não se torna um pouco melhor?!

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