CRÍTICA | Lady Bird

CRÍTICA | Lady Bird

A adolescência é o período em que começamos a fazer escolhas, entre erros e acertos, pode ser um longo caminho de muito aprendizado, tanto para o jovem quanto para os pais. Em Lady Bird: É Hora de Voar, acompanhamos as escolhas de Christine, que tem o sonho de ir para uma faculdade o mais longe possível de Sacramento, Califórnia. Com Greta Gerwig na direção e no roteiro, o filme chegou ao Oscar com cinco indicações: Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Diretora, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Original, não levou nenhuma estatueta, mas conquista o coração de quem assiste.

É um drama adolescente totalmente carregado por Lady Bird e suas descobertas. A primeira delas é deixar a sua marca, a começar pelo nome que escolheu para si mesma até a busca por se encontrar. Querendo se distanciar da realidade, vemos todas as diversões e tentativas de Christine. Desde encontrar um meio de entrar nas universidades que deseja até os encontros e desencontros do amor. Essa distância é o que faz com que as discussões com a sua mãe (Laurie Metcalf) ocorram.

A família de Lady Bird não dispõe de luxos e gastos exagerados, então Marion tenta fazer a filha entender que seria melhor para ela cursar uma universidade mais próxima que seja mais barata. Como as duas têm uma personalidade forte, todas as cenas entre elas são marcadas por gritos e silencio. São nos momentos em que Lady Bird e sua mãe se calam que podemos ver o peso das brigas e as lutas internas que tentam combater. É onde Gerwig consegue sucesso ao mostrar a relação entre mãe e filha, já que mesmo com os desentendimentos ainda vemos alguns breves momentos de cumplicidade e apoio.

A produção é bem feita com um jogo de câmera e pontos de vista que se misturam a uma fotografia delicada e cuidadosa. Há cenas belíssimas que quem está assistindo espera que sejam congeladas para ficar apenas olhando. Porém, o roteiro peca e acerta ao mesmo tempo em apenas uma coisa: a criação de expectativa. A construção dos acontecimentos são bem feitas, porém nos faz esperar que um ponto de virada grande aconteça. O problema é que na realidade, as grandes viradas podem não se mostrar tão grandes assim e é então que, ao desapontar também consegui fisgar quem está acompanhando a história.

Outro ponto que chama atenção no longa é a ótica feminina. Essa vontade de crescer, de amar e ser amada, de errar de vez em quando, de sentir medo ao perder a virgindade e de ter o coração partido pela primeira vez. Para além disso, é sobre brigar com os pais, mas ter medo de deixá-los ao mesmo tempo. Abraçar tudo aquilo que é seu e poder voltar para o que tinha antes.

Gerwig consegue tratar de tudo isso e ainda nos entregar um filme delicado sobre a vida e todos os absurdos que giram em torno dela. É sobre aprendizado e gratidão. Lady Bird: É Hora de Voar é um filme para ver, rever e refletir. Uma obra honesta e sincera que nos faz pensar sobre o quanto crescemos e vamos tropeçando até encontrar o nosso caminho.

Nota Nerdisse:  (4 / 5)

Comente, queremos saber sua opinião