Imagem: Reprodução/Sony Pictures

CRÍTICA | Homem-Aranha: No Aranhaverso

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Ao sair do cinema, os comentários eram diversos: “uma animação diferente”, “divertido, né filho?”, “gostei dos desenhos”. Rodas de conversa se formavam para discutir os elementos do filme. Não estavam errados, era uma animação diferente, divertida e com traços incríveis. Em Homem-Aranha: No Aranhaverso acompanhamos Miles Morales (Shameik Moore), um adolescente negro de ascendência portorriquenha, picado por uma aranha radioativa e que, por acaso, acaba presenciando a morte de Peter Parker e a fenda interdimensional aberta em Nova York. O resultado é o surgimento de outros aranhas de universos paralelos diferentes que irão ajudar Miles nessa jornada.

Dizer que Miles Morales é um novato é mais do que simplesmente assumir a sua recente picada de aranha. É um personagem novato que corresponde a uma história que parece semelhante, mas é diferente de todos os aranhas. O garoto tem problemas novos, visões novas, poderes novos e uma influência nova. A produção faz questão de evidenciar isso ao longo da narrativa. Em Peter Parker (Jake Johnson) víamos alguém que busca equilibrar os poderes e o colégio; em Miles esses problemas somam com lidar com o multiverso e provar que pode resolver o problema.

Embora tudo pareça um fardo pesado para um jovem com poderes recentes, o grupo de aranhas fornece a base que Morales precisa. A animação consegue trabalhar com cada personagem e trazer as particularidades de cada um. Seja nos traços, nas falas ou mesmo na apresentação de suas histórias. Em conjunto, o excelente trabalho de Phil Lord e Chris Miller fica ainda mais evidente. O medo que alguns sentiam de Peter Parker ofuscar Miles é deixado de lado e substituído pela aventura de assistir cinco aranhas e ainda acompanhar a aventura de Miles.

Para os fãs, Homem-Aranha: No Aranhaverso é um presente. Afirmação que era evidente no olhar de cada adulto e criança ao assistir o filme. Os fãs eram perceptíveis porque seus olhos brilhavam diante a animação. Por um lado pela história, por outro pelos traços. Começamos por Miles com desenhos quadrinísticos em que cada cena era um quadrinho, quem sabia amou e quem não sabia buscava entender o diferente e bonito ao mesmo tempo. O choque de desenhos começa com o Peter Parker de outra universo, em que vemos aquela costumeira animação. Com os outros aranhas o choque é o mesmo, mas nesse momento já estamos abertos a tudo que o filme nos propõe. É um choque bom que evidencia os contrastes e as semelhanças, o balanço entre o romance com um arco dramático que encaixa na trajetória de Miles.

Ao falar da trajetória talvez seja o que mais chama atenção depois dos traços. Na tentativa de Peter Parker, cheinho e um pouco fracassado, treinar Miles para ser o Homem-Aranha que sua dimensão precisa, diversos ensinamentos que acompanhamos ao longo das histórias contadas do teioso são apresentados. É o caso de “com grandes poderes, vem grandes responsabilidades” – motivo, inclusive, de piada na animação – e a mais importante delas: “Você não pode pensar em salvar o mundo, você tem que pensar em salvar uma pessoa”. Importante porque diz respeito ao que é ser um Homem-Aranha. Diversas vezes retratado como uma pessoa picada por uma aranha acidentalmente. Aqui é diferente, em que o Homem-Aranha é o amigo da vizinhança, um ser como qualquer outro que usa seus poderes para salvar pessoas e, as vezes, acaba salvando o mundo.

Seja visualmente ou discursivamente, Homem-Aranha: No Aranhaverso traz uma das produções mais belas já vistas de super-herói e faz jus a cada comentário pós-filme porque traz a essência do teioso e a sensação de que seja quem você for e em qual universo esteja, o Homem-Aranha irá te representar. No final, a mensagem que fica é que seja preto e branco, uma jovem adolescente, um adulto que busca se equilibrar entre erros e acertos, uma garotinha, um robô ou até mesmo um porco, pode ser um Homem-Aranha. Um símbolo de que qualquer pessoa pode ser um herói. No final do dia, em qualquer época ou universo, todos nós somos capazes de transformar a nossa realidade e ser o Homem-Aranha da nossa própria história.

Nota Nerdisse: 5 out of 5 stars (5 / 5)

Veja o trailer: 

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