Imagem: Poster Creed II / Warner Bros.

CRÍTICA | Creed II

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No painel do último dia da Comic Con Experience 2018, todos sabiam o que viria pela frente: assistiríamos Creed II. Michael B. Jordan, Tessa Thompson e Florian Monteanu subiram ao palco para uma entrevista memorável, a falta de Sylvester Stallone se fez, mas comentaram um pouco sobre o astro. Quando os atores deixaram o palco, tudo ficou escuro, era o começo de um intervalo antes do filme tomar a tela do Auditório Cinemark. Logo no começo vemos Adonis (Michael B. Jordan) conquistar o cinturão de Campeão Mundial, uma vitória e tanto para um lutador jovem. O preço da fama vem rápido com o desafio de Viktor Drago (Florian Monteanu), filho de Ivan Drago que matou Apollo Creed, pai de Adonis. Desafio feito e é então que a narrativa começa.

Para quem já havia visto os filmes do Rocky nada era uma grande surpresa, mas de alguma forma Creed II consegue superar o roteiro conhecido. Parte disso se deve ao plano de fundo do longa: as relações familiares. Todos os personagens são profundos e possuem uma ligação com suas famílias, principalmente com a figura paterna. É Adonis que quer lutar em nome da honra do pai, mas que ao mesmo tempo precisa procurar a sua razão para lutar; Rocky que possui dificuldades em retomar a ligação com o filho. Até mesmo o pai e filho Drago em que há relações ambíguas de um pai que quer recuperar sua dignidade e um filho que quer ajudar seu pai e, ao mesmo tempo, busca deixar orgulhosa a mulher que os deixou anos atrás.

A partir dessa base, Creed II toma a forma dos filmes de luta que já conhecemos e fica impossível não torcer por Adonis. A tensão cresce a cada segundo. As mãos soam e começam a se fechar, vibramos e choramos com o filho de Apollo. De repente, o Auditório Cinemark não era mais uma sala de cinema, nós eramos a platéia e a tela era um ringue. Gritos e aplausos de quem estava completamente imerso ao filme. Dentro da história e quem traz essa sensação é a conjuntura de ótimas atuações e uma produção impecável.

Michael B. Jordan entrega e corresponde as expectativas, assume o papel de protagonista deixando Sylvester Stallone ali como seu treinador para brilhar, mas sem ofuscá-lo. Tessa Thompson demonstra com maestria a força de uma mulher que enfrenta suas limitações físicas, se vê mãe e tenta lidar com as dificuldades que Adonis traz para a vida deles. Há química entre os dois e é fácil nos conectarmos ao casal e torcer para que seu amor supere as dificuldades. Os conselhos de Rocky nos lembram sua história e também os filmes, uma nostalgia vinda da atuação de Stallone que também não decepciona e carrega os pesos de um personagem que conhecemos a tanto tempo. Florian Monteanu e Dolph Lundgren trazem uma humanidade para seus personagens que, no caso do personagem de Lundgren, ainda não havia sido vista.

São essas atuações que elevam o nível do longa e soma a uma fotografia bonita, masao mesmo tempo simples. A produção optou por utilizar mais luzes naturais do que artificiais, tudo para trazer a simplicidade e força do filme e, ao falar de força, são as cenas de luta que melhoram a experiência de assistir Creed II. Não são pausadas, pelo contrário, são lentas e sem muitos cortes, o que permite ver os socos, acompanhar a luta na sua mais verosimilhança possível. Enquanto isso, a narrativa segue o percurso das fórmulas clássicas de filmes esportivos, mas não deixa de ser forte e deixar o público curioso para comprovar suas teorias.

Creed II consegue trazer o público, puxar quem assiste para aquele universo. Os gritos e aplausos no Auditório nada mais eram do que o reflexo de um filme que traz força, perseverança e luta. Vai crescendo dentro de você e te transforma ao mesmo tempo em que a história evolui. É um filme poderoso. O público sente os socos e os esforços de Adonis e no final estamos torcendo por ele a plenos pulmões. Assim como Rocky, só nos resta colocar os nossos chapéus e assistir a luta.

Nota Nerdisse:  (4 / 5)

Veja o trailer: 

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