CRÍTICA | Como Estrelas na Terra – Toda Criança é Especial

CRÍTICA | Como Estrelas na Terra – Toda Criança é Especial

A escola constitui um papel importante para nos educar e nos preparar para a vida em sociedade. É nesse espaço que aprendemos, por exemplo, a nos comunicar por meio das palavras. Aprendemos sons e formatos, é nessa parte em que todos nós temos dificuldades, inclusive até quando crescemos. Porém, para algumas pessoas, as letras se confundem, aquilo que é um “b” vira um “9” e aquilo que é um “t” vira “e”, um caos que demora para se organizar. Pessoas como o protagonista Ishaan Awasthi (Darsheel Safary), do longa indiano Como Estrelas na Terra – Toda Criança é Especial, um menino que possui dislexia, um transtorno específico de aprendizagem.

No filme, a escola, os pais e os amigos de Ishaan não compreendem a dificuldade que o garoto tem para aprender. “Idiota”, “burro”, “vagabundo” são palavras que ele ouve constantemente. Em uma atitude extrema, os pais levam o garoto para um colégio interno onde a disciplina é prioridade. Nesse ponto, o sofrimento dele está no limite até que chega Ram Shankar Nikumbh (Aamir Khan), um professor de artes substituto que identifica a dislexia de Ishaan.

Por um lado, ao passar quase 3 horas na companhia do menino, o emocional que possuímos fica difícil de encontrar. Por outro, ganhamos uma história sensível. Darsheel Safary é um ator mirim difícil de encontrar, o sofrimento e a confusão sobre os nomes que Ishaan recebe, sua dificuldade em organizar as letras e a realizar movimentos que para seus amigos parecem simples, em todos esses momentos somos capazes de sentir e nos colocarmos no lugar do menino. Em algumas cenas por um olhar ou apenas por uma reação. É ele quem carrega o filme e, por sua vez, o filme nos carrega.

Em relação a parte técnica, nada a questionar. A fotografia é linda e contribui para entender cada momento de Ishaan, principalmente nos momentos de sua confusão. Notamos o uso de técnicas do cinema no uso da câmera, inclusive cenas em que o diretor Aamir Khaan, o mesmo que interpreta o professor, utiliza o efeito Vertigo ou Dolly Zoom nas cenas de vertigem de Ishaan. O roteiro também é bem construído com falas que trazem a crítica do filme em seu discurso.

Como Estrelas na Terra mostra para o que veio com uma crítica ao sistema de ensino das escolas presente do início ao fim. A preocupação é sempre com as notas altas enquanto, nesse processo, alunos se perdem numa busca incessante por números que agradem aos pais. No longa, vemos uma narrativa que vai além do contexto indiano, está presente no mundo.

Outra crítica diz respeito a forma com que crianças e pessoas com deficiências são tratadas, tema que também esteve presente no filme americano Extraordinário, que aborda o bullying que Auggie sofre por sua deformidade social. Aqui não é diferente, mas retratado de uma maneira mais agressiva, para exemplo, a palavra “retardado” é utilizada algumas vezes para se referir a crianças com deficiência, exatamente para evidenciar o preconceito cruel e ignorante que está presente na sociedade.

Em uma categoria hipotética de “obrigatórios para assistir”, Como Estrelas na Terra seria destaque. Um filme sobre respeito, empatia e humanidade. Cada criança possui sua particularidade e está em um processo de crescimento, assim como todos nós. A mensagem que fica vem logo no título: Toda criança é especial.

Nota Nerdisse:  (5 / 5)

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