CLÁSSICOS EM ANÁLISE | Pânico

CLÁSSICOS EM ANÁLISE | Pânico

 “Você gosta de filmes de terror?”

Um grande aprendizado que adquirimos ao longo dos anos acompanhando o Cinema Trash é que há uma linha muito tênue entre o humor e o ridículo, bastando apenas um detalhe como uma piada forçada, para que uma boa película se torne cafona.

Um dos destaques do filme Pânico, lançado em 1996 e referência no Terror, é a sua capacidade de utilizar do humor – na maior parte das vezes – de forma sutil e espontânea. Diferentemente das obras lançadas na época, o longa soube trazer o equilíbrio necessário para manter o excêntrico de forma positiva até o final.

Parodiando vários filmes de terror da época, a película começa de forma eletrizante com a clássica adolescente americana que recebe uma ligação de um estranho com uma voz computadorizada. “Qual o seu filme de terror favorito?”. A partir daí, começa um jogo macabro sobre filmes. Se ela errar, morre.

Grandes nomes do cinema atual fazem parte do elenco, como Courteney Cox (Mônica de Friends), Skeet Ulrich (Serpente Master de Riverdale) e Drew Barrymore (Sheila de Santa Clarita Diet). Wes Craven está em frente ao projeto, com uma direção competente e boas sacadas. Em relação a direção fotográfica e a escolha de trilha sonora, merecem um parabéns, as duas trabalham juntas em harmonia mostrando que boas escolhas são capazes sim de sustentar o mistério em uma película

Ainda que Pânico tenha sido um primeiro passo para vários atores, as atuações são aceitáveis. Poderiam ser melhores? Sempre pode, mas não é nada capaz de causar incômodo. O único ponto negativo é o excesso de caracterização dos personagens, junto a tentativa falha de reforçar clichês, como a repórter extremamente sem coração disposta a qualquer coisa pelo furo, a principal inocente demais beirando a alienação, o policial retardado, entre outros. Tais elementos podem trazer certa irritação ao telespectador a longo prazo.

Para a época em que foi lançado, um cinema supersaturado de seriais-killers e filmes sangrentos, Pânico deixa claro que é possível utilizar de elementos comuns, como o humor e uma história padrão, para criar algo único e diferente. Para os fãs de terror, é uma obra que vale a pena ser vista.

“Você nunca deve dizer ‘Quem está ai?’, você não vê filmes de terror? Sabe que isso é um prevejo de morrer. Se bem que você poderia sair dai e investigar o barulho estranho ou algo assim.”

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