CLÁSSICOS EM ANÁLISE | Cujo

CLÁSSICOS EM ANÁLISE | Cujo

Se envolver com os grandes sucessos do King é compreender que você está em frente a uma realidade na qual tudo é possível, desde prédios mal-assombrados, carros assassinos, redomas invisíveis, cãezinhos assustadores à cemitérios proibidos. A grande sacada e genialidade do escritor está no seu talento em transformar o angelical – como uma senhorinha fascinada pelo seu autor favorito – em nossos piores pesadelos.

Seja o sobrenatural, a vida após a morte ou até as nossas próprias atitudes, quando o assunto é terror e construir traumas, Stephen King é o primeiro nome que vem na nossa mente. Com aproximadamente 200 contos publicados e mais de 50 adaptações para as telonas, incluindo filmes  e minisséries, mesmo hoje, mais de 40 anos após o seu primeiro lançamento, ainda há uma grande expectativa em cima dele.

Em 1983, em meio a vários sucessos e um período meio tumultuado em sua vida (em uma entrevista, King conta que não lembra de ter escrito várias partes da obra que hoje analisamos), Cujo marcou o cinema americano com a história do doce cãozinho São Bernardo (que dá nome ao filme) que se transforma em uma besta cruel e sanguinária após ser atacado por um morcego com raiva.

Sem sombra de dúvidas, a mudança do animal doce em uma criatura quase demoníaca é um dos pontos fortes da obra. Embora tenha sido feito nos anos 80, um período de descobertas no cinema, a fotografia e a direção de algumas cenas se equiparam as produções atuais. A sensibilidade do “figurino” no animal e sua representação refletem uma sensibilidade extraordinária, uma tentativa de mostrar que os monstros podem vir sim do singular, do comum.

Além disso, na obra dublada – diga-se de passagem, infelizmente os escolhidos para dar voz ao personagem não agradam muito, visto que não se enquadravam ao que os autores estavam tentando representar -, vale ressaltar a magistral atuação de Dee Wallace no papel de Donna Trenton, a mãe desesperada em manter seu filho a salvo de Cujo. As caras e bocas da atriz, juntamente a veracidade transmitida às câmeras trouxeram realidade a sua angústia, e uma sensação de claustrofobia com toda a situação que só se intensifica com o passar dos minutos.

Por fim, é importante falar do roteiro, um dos poucos pontos que poderia ser apresentado de outra forma. Comparar entre o livro e a película não é justo, já que cada um deles carrega suas peculiaridades e aspectos que os tornam únicos. Em contraposto, a seleção de cenas e acontecimentos poderia ter sido feita de outra forma.

Não que tenha ficado ruim, pelo contrário, quando comparado a várias obras da época, está sensacional. Só que, considerando tudo o que havia de material para ser adaptado, poderia ter ficado ainda melhor. Alguns desdobramentos poderiam ser esquecidos, enquanto outros, que foram deixados de lado, poderiam ter entrado para enriquecer a trama. Tirando isso, Cujo se enquadra em uma produção que vale a pena ser visto pelos fãs do Cinema. A história em si é interessante, mas a fotografia e a direção, vale cada um dos minutos.

Toda semana traremos o “Clássico em Análise” onde, como o próprio nome já diz, analisamos os filmes clássicos. O objetivo é trazer um debate sobre os filmes do passado, sem esquecer o contexto em que foram feitos.

Comente, queremos saber sua opinião