RESENHA | A Missão

RESENHA | A Missão

Na distopia A Missão somos apresentados a Tanzur, uma utopia criada dentro da Amazônia após uma pandemia em que uma doença está causando a extinção da humanidade e é preciso criar um local seguro para a sobrevivência. Porém, Tanzur torna-se uma ditadura na mão de seis pessoas com poder na mão de poucos, desigualdade social e injustiça. Insatisfeitos com esse cenário político e econômico e incomodados com o regime atual, surge um grupo revolucionário liderado, principalmente, por militares que se denominam como “A Missão”.

Os personagens que tomam a frente da narrativa são os dois militares Júlio e Liss. Ele um militar que, para manter sua posição dentro do regime, faz aquilo que é mandado fazer (incluindo assassinar crianças inocentes) percorrendo toda a trama justificando esses atos. Ela também militar, descrita inicialmente por Júlio como inocente que, ao logo da trama, descobre a crueldade do regime que antes acreditava. É nesse conflito entre os dois personagens que eles vão crescendo, mesmo assim superar algumas concepções iniciais de Júlio (como a constante tentativa em parecer um rapaz bom e o modo como enxerga Júlia) torna a leitura difícil no começo, mas Paludo corrige o personagem no decorrer da história.

Não há um romance, mas também não se faz necessário. Conforme a leitura flui, os eventos ocorrem de maneira rápida o que faz com que o leitor limite sua imaginação a revolução, esquecendo daquilo que fica em segundo plano. O jogo que Paludo faz em tratar a revolução como algo supérfluo e profundo ao mesmo tempo é o que dá ao leitor a vontade de virar a página e descobrir qual o próximo acontecimento.

Algumas pontas ficam soltas, é o caso da história da personagem Mariana e de outros apresentados no prólogo e o salto temporal entre a época da extinção e Tanzur. Em um primeiro momento esperamos que isso seja explicado ao longo do enredo, mas apenas ficamos na vontade. O principal erro talvez seja essa passagem da utopia perfeita para a ditadura cruel, terminamos a leitura sem explicações e com temas esquecidos durante a narrativa deixando o leitor com perguntas sem respostas.

O final deixa em aberto uma possível continuação onde Paludo pode corrigir essas questões, o que deixa a trama distópica ainda mais interessante. Como um todo, A Missão surpreende e deixa o leitor com um gostinho de quero mais mesmo com pontas soltas e uma revisão que deixa a desejar. Nada que não possa ser melhorado permitindo que o leitor conheça ainda mais Tanzur e também os caminhos que os personagens ainda irão tomar.

Nota Nerdisse: (3,5 / 5)

A Missão está a venda pela Amazon e pela Editora Hope.

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