CRÍTICA | Your Name

CRÍTICA | Your Name

Há uma lenda Oriental chamada Akai Ito, diz que os deuses amarram uma fita vermelha invisível em você que estará conectada com a sua alma gêmea, em algum momento da vida essas duas pessoas irão se encontrar e viver uma vida mútua. Seja verdade ou não, em Your Name, os protagonistas estão ligados em uma fantasia com uma história envolvente e sensível. Agora disponível na Netflix, o anime Kimi no na wa, já fazia um grande sucesso. Com roteiro e direção pelo, pouco conhecido, Makoto Shinkai, o filme conta sobre Mitsuha, uma garota que vive num vilarejo no Japão sonhando em mudar para a grande Tóquio. Na capital, Taki vive buscando algo que ainda não sabe o que é, mas continua persistindo. Até que em uma manhã, tudo muda e os dois acordam de corpos trocados.

Não é um tema original, muitos livros, séries e filmes já retrataram isso. O que muda em Your Name é a forma em como trataram o assunto e todo aprendizado que veio na bagagem. Mitsuha consegue ir para a cidade grande, mas percebe todas as coisas novas que vem junto com a vida cotidiana de um grande centro. Enquanto Taki, procura se acostumar e conhecer mais o vilarejo cheio de culturas e tradições. Acontece que, com a troca de corpos, em algum momento os dois conseguem perceber e se comunicar através de mensagens deixadas em seus celulares. É por meio deles que um conta para o outro tudo o que aconteceu no dia anterior.

O que chama a atenção na história, é esse contraste entre os dois personagens e os contextos em que vivem. É uma distinção bastante real no Japão em que, querem manter as tradições fortes do país, ao mesmo tempo que tem um desenvolvimento das cidades e da tecnologia em grande escala. Algo que Mitsuha e Taki representam muito bem, inclusive sobre o que acontece com quem vai para o grande centro de Tóquio ou que sai dele para os pequenos vilarejos do interior onde a concentração cultural é grande.

Outro ponto positivo em Your Name é que o foco não fica nessas diferenças entre os personagens, mas tem uma bela reviravolta que nos fala sobre tempo, memórias e destino. Tudo isso começa a acontecer quando a relação entre Taki e Mitsuha parte da amizade para o amor e o garoto resolve ir atrás dela. O que transforma a trama em algo intenso e extremamente poderoso, ainda mais se analisarmos em conjunto com os desenhos e a arte do filme.

Todo o visual da animação é incrível e consegue reforçar todo o paralelo do contraste japonês. Ainda vemos os traços tradicionais, daquele aspecto de desenho à mão, mas com o uso de algumas técnicas recentes. É o caso das cenas abertas de Tóquio, por exemplo. Mesmo assim, ainda da pra notar um cuidado na preservação do clássico. O resultado dessa mistura entre o novo e o tradicional dá um ar muito mais natural para o filme e rende cenas lindas de se assistir.

Your Name não é somente sobre uma história de amor entre dois jovens, está muito além disso. É sobre aprendizado, entendimento e compreensão de nós e da vida como um todo. De que, independente de crença, tudo acontece quando e do jeito que tem que acontecer independente de qualquer intervenção. Mostra que, mesmo parecendo bobo, temos que seguir a nossa intuição porque ela pode render histórias e momentos incríveis. Não sabemos se é uma fita vermelha que nos liga, mas estamos conectados de alguma forma.

Nota Nerdisse: (5 / 5)

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