CRÍTICA | The Good Place – 1ª e 2ª temporada

CRÍTICA | The Good Place – 1ª e 2ª temporada

De vez em quando é necessário ver uma série inteira para entender para o que ela veio, The Good Place é assim. Criada por Mike Schur, a sitcom de câmera única da NBC estrelada por Kristen Bell e Ted Danson parece ser um desperdício de tempo, mas basta uma chance para que a série mostre que tudo é aprendizado.

Contando a história de Eleanor, uma jovem que viveu a vida da forma mais inconsequente possível, chega ao Paraíso – aqui chamado de Lugar Bom – e logo percebe que aquele não é o seu lugar. O resultado disso é uma busca por tentar se encaixar no meio social de pessoas boas. Na trama, Eleanor conhece Chidi, um professor de ética e moral; Jianyu, um monge budista com voto de silêncio; Tahani, uma britânica egocêntrica; Janet, uma espécie de Siri com corpo de mulher; Michael, alguém que quer se tornar humano e nós acompanhamos essa turma.

The Good Place tem uma premissa importante depois que você a conhece. Na primeira temporada o universo nos é apresentado ao passo que também é para Eleanor. Descobrimos um pouco sobre o Lado Bom e o Lado Ruim e como é feita a escolha das pessoas que pertencem a eles.

Basicamente cada ação boa que você faz enquanto está vivo somam pontos e são eles que definem para qual lado irá. Se a sua pontuação estiver positiva irá para o Lado Bom, se estiver negativa irá para o Lado Ruim. Acontece que o sistema é recheado de falhas que só conheceremos no final da temporada e são essas falhas que nos fazem seguir acompanhando a série.

Em um primeiro momento, a primeira temporada é bastante fraca. As piadas se esforçam para ser engraçadas, os diálogos e as atuações parecem ser forçados e falsos e quem está assistindo não consegue se conectar com os personagens, principalmente com o Jianyu (Manny Jacinto).

Depois que entendemos quem ele é, o personagem fica simplesmente insuportável. Ele ser bobo e pouco inteligente só passa a ser engraçado – até mesmo fofo – depois que o conhecemos em outras nuances, mas o caminho até encontrarmos com elas é longo e cansativo.

Por outro lado, há personagens com quem conseguimos identificar uma semelhança. É o caso da Eleanor. No decorrer da série conhecemos mais sobre a jovem, suas ações boas e ruins, e nos projetamos nela. Eleanor não é totalmente boa nem totalmente má, ela é como nós. Ela comete erros, tenta sobreviver e no fim aprende com eles.

Em uma totalidade a primeira temporada deixa a desejar com falhas. Apesar de bem produzida, há alguns pequenos erros esquecidos pela imersão que a série propicia. O mais interessante sobre entender os dois lados do universo da sitcom é a contradição de cores entre o Lado Bom e Lado Ruim para evidenciar seus pontos. No Lado Bom tudo é colorido e claro, enquanto no Lado Ruim, tudo é escuro com bastante preto e quando Eleanor e o resto da turma se encontram neles, principalmente no Lado Ruim, essa percepção de cor se mistura mostrando que não são bons nem ruins.

Além disso, em The Good Place conseguemnos conectar com os personagens a partir de seus dramas conforme os episódios avançam, mas no final da temporada inicial essa conexão é esquecida em uma série de acontecimentos repentinos. De repente, a história passa por um completo boom de acontecimentos em que quem está assistindo perde o contato com Eleanor e a sua turma. Algo que torna a série um pouco cansativa. São detalhes que nos fazem questionar a fidelidade ao universo criado da série e aqueles que o representam.

Entretanto, se todas as esperanças foram perdidas com a primeira temporada, na segunda elas são renovadas. Nos episódios iniciais as melhoras não se fazem muito evidentes, mas no decorrer da trama podemos ver uma melhora considerável. As piadas ficam melhores e mais inteligentes. Os ensinamentos de ética e moral que a série queria passar na primeira temporada, são mais trabalhados. E quando achamos que a série já havia evoluído, uma virada acontece na trama e nós passamos a ter certeza: A série pode ser melhor e é melhor.

A segunda temporada está em um nivel mais elevado que a primeira. A relação e os dramas dos personagens são mais aprofundados. Conseguimos entender mais sobre o universo de The Good Place e no final estamos pedindo mais. Para muito além disso, a série consegue passar lições. Passamos a olhar para nós mesmos e nos questionar para qual lado iriamos. The Good Place consegue nos mostrar que não são as nossas ações que contam e sim as nossas motivações para fazer elas acontecerem. Nos faz perceber que fazer o bem não é esperar alguma recompensa por isso e que sempre há tempo para ser bom e realizar boas ações, não apenas na sua vida, mas na vida de outros que vivem ao seu redor.

The Good Place parte do lixo ao luxo em episódios rápidos de 20 minutos, mas com uma história que queremos que dure 40. Oferecer uma segunda oportunidade a ela é uma boa decisão. É uma série leve com dramas e piadas para nos divertirmos. Recheada de questões que vão além do certo e errado, moral ou imoral, bom ou ruim. Vale a pena ficar curioso, descobrir os passos da turma de Eleanor e questionar a si mesmo sobre qual lado você iria.

2 Comentários

  1. Apesar de não ser engraçada o tempo todo, The Good Place é bem gostosinha de assistir e traz um conceito bem interessante. Gostei muito da sua crítica e me apaixonei pelos personagens, achei que os diálogos são bem construídos. Me surpreendi!

    http://casinha193.com.br/

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