CRÍTICA | Pantera Negra

CRÍTICA | Pantera Negra

Há filmes que tentam trazer representatividade, Pantera Negra consegue. Com um filme sério e político, a Marvel Studios quebra a “fórmula Marvel” com sucesso. Trazendo um elenco forte com atuações incríveis, o longa conta a história de T’Challa (Chadwick Boseman), filho do Rei de Wakanda, que volta para casa depois da morte de seu pai para ocupar seu lugar de direito. Acontece que um velho inimigo ressurge trazendo novos conflitos que podem colocar o país de T’Challa e o mundo todo em risco, obrigando o novo rei a buscar aliados para garantir a segurança do seu povo.

Toda a tradição de Wakanda é colocada para nós logo no começo, entendemos como construíram toda a sua tecnologia e o modo de viver como irmãos. Apesar de ser uma cidade com poucos recursos no mundo exterior, dentro do espaço secreto, Wakanda é um reino desenvolvido com tecnologia de ponta e recursos em grande abundancia, principalmente o vibranium. O conflito maior é buscar entender até que ponto podem ficar escondidos e não compartilhar com o mundo exterior a abundancia do país.

Pantera Negra tem um lado político forte que representa, de alguma forma, as crises que estamos vivendo fora da ficção. A polarização, a falta de senso social, a ganancia do crime e o crescimento de governantes como Donald Trump. Além disso, identificamos no caráter de cada personagem outras figuras que lutaram, ambos com ponto de vista particulares, sobre a mesma causa.

 

T’Challa, por exemplo, busca um modo de preservar os recursos de Wakanda em segurança e melhorar a qualidade de vida do mundo com uma consciência social, sem violência e com amor ao próximo, lembrando muito o pastor e ativista norte-americano Martin Luther King Jr. Por outro lado, Erik Killmonger (Michael B. Jordan), inimigo do jovem rei de Wakanda, quer uma revolução mais agressiva, perdeu seu pai quando criança e cresceu no meio da criminalidade, nos lembrando o ativista Malcom X. Não apenas pelo lado político defendido pelos dois líderes, mas também trás toda a luta do movimento negro.

O que nos leva a grande representatividade do filme. Não é um filme que simplesmente coloca atores negros em diversas posições. Pantera Negra traz a cultura africana, as nuances e as tradições dela colocada na história de Wakanda. É um filme extremamente humano. Mostra como as tradições culturais são importantes e como elas constroem quem nós somos. Principalmente quando vemos Erik chegar na comunidade wakandana e questionar toda aquela forma de viver, não é sua cultura e, portanto, ele não aprendeu a agir com empatia.

Ao falarmos da parte técnica, não há um ponto em que o filme deixou de entregar uma boa produção. Os efeitos são belíssimos, principalmente o do início em que conta a história de Wakanda.  Na parte de mostrar os meios tecnológicos e a parte das lutas, nenhum gráfico deixa a desejar. Inclusive, as lutas corporais também são muito bem executadas.

O respiro fica por conta da irmã de T’Challa, Shuri (Letitia Wright), que tira risadas de nós com sua relação com o irmão. E falando em Shuri, precisamos dizer sobre a força feminina presente no filme. Shuri é uma personagem que tem um arco bem constrúido, é ela quem cuida de toda a tecnologia do seu país e, mesmo sem saber lutar muito bem, defende T’Challa e o seu povo. Vemos também Nakia (Lupita Nyong’o), alguém que luta pelos seus princípios e que ao mesmo tempo é uma grande patriota. Também temos Okoye (Danai Gurira), a general das Dora Milaje – as guerreiras que protegem que guardam Wakanda – que tem uma personalidade forte e luta como ninguém, inclusive sua pontaria nunca decepciona. Pantera Negra mostra as mulheres em posições de líderes sem nenhum homem dizer a elas o que deve ou não ser feito.

De longe, Pantera Negra é um grande feito e pode ser colocado como melhor filme do estúdio até agora. Se não o melhor é, sem dúvida, o filme com moldura de herói mais político e social da Marvel. O longa é um presente para discutirmos revoluções, pensamentos e posições políticas. Estamos colocando aquilo que nos separa em primeiro lugar quando devíamos estar fazendo o oposto. Como diz T’Challa, em um momento de dificuldade, sábios criam pontes, tolos criam barreiras.

Nota Nerdisse:  (5 / 5)

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