CRÍTICA | La Casa de Papel

CRÍTICA | La Casa de Papel

Na infância, brincamos de polícia e ladrão, sabemos que a brincadeira só acaba quando o ladrão é preso em nome da lei. Entretanto, o que acontece quando a brincadeira não acaba? La Casa de Papel responde essa pergunta com mocinhos vilões, vilões mocinhos, atuações incríveis e um roteiro que prende. Produzida pelo canal espanhol Antena 3, a série possui originalmente 15 episódios que foram reorganizados pela Netflix para distribuição. Os nove episódios da primeira remessa da série original foram transformados em 13 episódios disponibilizados pela Netflix em dezembro. Na trama, oito bandidos são recrutados por um homem, o Professor (Álvaro Morte), para o maior golpe de todos os tempos: roubar a Casa da Moeda da Espanha.

Os episódios são narrados por Tóquio (Úrsula Corberó) – todos os bandidos possuem nomes de cidades ao redor do mundo – uma mulher foragida depois do seu 16º assalto em que seu parceiro e amor da sua vida acabou falecendo junto de duas outras pessoas. Tóquio é quem nos guia durante toda a série apresentando o plano do Professor, os personagens e seus pensamentos. É por meio dela que nos habituamos aos acontecimentos da série e também conhecemos mais da própria Tóquio que vive um romance com Rio (Miguel Herrán).

A cada momento que passa e a cada episódio queremos saber os próximos movimentos dos ladrões e dos policiais. La Casa de Papel constrói tão bem sua narrativa que não é possível distinguir vilões de mocinhos como acontece nas ficções policiais comuns. É a polícia que, mesmo querendo salvar as pessoas, possui seus defeitos. Os bandidos que, vistos como ruins, passam a ser amados por quem está assistindo e quando percebemos mesmo entre quem pensávamos ser bom, não é tão bom assim. A série é repleta de reviravoltas que prendem até mesmo aqueles que possam achar a série cansativa.

Nesse jogo de quem é quem, La Casa de Papel não é uma série linear. Além de mostrar o ponto de vista dos ladrões e da polícia, também há flashbacks sobre a formação do planos e momentos entre personagens como no caso do pai, Moscou (Paco Tous), e seu filho, Denver (Jaimez Menéndez Lorente). Flashbacks explicativos que servem para justificar alguma ação ou as relações entre os ladrões. É nessa construção da série que percebemos o cuidado com sua produção.

La Casa de Papel é uma série muito bem montada, cada trilha entra no momento certo, cada expressão e movimento é aproveitado para colocar suspense. A paleta de cores da série também chamam muita atenção já que a unica cor quente usada é o vermelho. Na abertura, nos roupões dos assaltantes e em cada detalhe são usados vermelho, no restante somente tons frios e secos. O que difere da polícia com cores fortes, um azul/preto muito marcado.

Há uma frase dita pelo professor em um momento da série que diz respeito a ganhar o público, a opinião pública. Quando ele diz essa frase não está dizendo apenas sobre os reféns, mas sobre quem assiste também. Os personagens nos ganham de uma forma que faz com que nos percamos, não sabemos a razão pela qual gostamos dos ladrões, mas nos conectamos com eles. Seja pelas atuações excelentes do Professor como um homem charmoso e mandante do golpe; a personalidade de Berlim (Pedro Alonso) entre o educado e o perturbador; Nairobi (Alba Flores) com suas piadas e uma mulher incrivelmente forte. Os ladrões ganham a simpatia de quem está assistindo e quando paramos para pensar já estamos torcendo por eles.

La Casa de Papel não é somente sobre policiais e bandidos. É sobre pessoas, traumas e humanidade. Uma série para assistir, digerir e continuar assistindo. Quando somos crianças sabemos como os bandidos são presos, em La Casa de Papel tentamos descobrir se eles realmente são.

Nota Nerdisse: (5 / 5)

Comente, queremos saber sua opinião